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Artista plástico esculpe imagem de São Roque com 1,95m em praça pública

Praca

Na Praça da República em São Roque, local onde ocorre aos fins de semana a feira de artesãos da cidade, o artista plástico Gilson Baiano, sob uma tenda para protegê-lo  do sol escaldante, trabalha todos os dias esculpindo em um tronco de árvore, uma imagem de São Roque, padroeiro da cidade homônima.

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Gilson, um baiano muito simples, tem um dom incrível para reproduzir detalhes da anatomia. A fidelidade dos detalhes impressiona. De um tronco de madeira com 1,95m, as hábeis mãos do artista empunhando formões, grosa e lixa, vão formando a imagem fiel do Santo.

O Jornal Super@SP  esteve lá, e colheu imagens, vídeos, e uma entrevista com o artista Gilson Baiano.

Jornal Super@SP: Porque o nome de Gilson Baiano?

Gilson Baiano:  Eu nasci na Bahia e moro em São Roque há mais de 20 anos. Depois de um acidente que sofri resolvi por os sentimentos que guardei dentro de mim para fora.

JSSP: Você já fazia artesanato?

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GB: Minha mãe fazia potes de barro, para consumo da casa, e eu pegava uns bolinhos de barro e fazia uns bonequinhos foi assim que aprendi. Depois que sofri o acidente, passei maus momentos na minha vida.  Minha esposa comprou 3 telas e sete bisnagas de tinta, e sem saber pintar, apenas com algumas instruções de como misturar as tintas, pintei e participei de uma exposição no Centro Educacional e Cultural Brasiltal, e para minha surpresa, quando fui receber minhas telas, recebi um certificado. Foi emocionante demais, até chorei.

JSSP:  Aì você começou a carreira de artesão?

GB: Aí eu senti o acolhimento da cidade. Passei a ser convidado pra vários eventos, exposições e continuei pintando por dois anos.

JSSP:  E essa escultura, como veio essa ideia?

GB: Depois que eu fiquei entre a vida e a morte,  e Deus me deu essa segunda oportunidade de viver eu pensei assim: “ Eu tenho que fazer alguma coisa por essa cidade. É aqui que eu moro. A cidade me acolheu como artista. Considero-me artista aqui por que as pessoas valorizaram meu trabalho. Aí veio a ideia de fazer um São Roque grande.

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JSSP:  E por que fazer em madeira?

GB: Olha vou contar uma coisa que nunca contei pra ninguém: o que eu queria mesmo era fazer um São Roque em concreto, com cinco ou dez metros.

JSSP:  Como você faria para esculpir essa estátua?

GB:  Pensei em por a cadeira de rodas em um guindaste, mas essa loucura o pessoal não apoia não, tem medo. Já pensou um São Roque desses na entrada da cidade,como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro?

JSSP:  E essa peça como veio a ideia?

GB:  Comentando em uma exposição, o Dr Pedro perguntou por que eu não fazia, o São Roque grande na praça. Eu respondi que não tinha condições de ir e voltar todos os dias. Ele disse que patrocinaria. Ai fui atrás da madeira, e agora estamos fazendo a escultura.

JSSP:  Então não foi tão difícil.

GB:  No início tivemos algumas dificuldades. A empresa que iria patrocinar não poderia mais, aí os diretores assumiram  a responsabilidade e estão patrocinando. Além disso as pessoas veem  o trabalho e acabam doando cinco, as vezes dez reais, e ajuda no combustível.

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JSSP:  Gilson, porque fazer a escultura em praça pública?

GB:  A minha intenção de fazer na praça, é para as pessoas  como é construída uma obra desse tamanho. Até onde eu saiba não foi feita uma obra desse tamanho em praça pública. Essa obra faz mais de um mês que comecei.

JSSP:  Gilson, você vem todos os dias trabalhar na obra?

GB:  A obra caiu no meu pé, feriu meu dedão e precisei ficar mais de uma semana sem poder vir. É que normalmente o escultor faz uma obra dessa em um galpão com estrutura e ferramentas adequadas, e faz a obra em dois ou três anos.  Não é como eu que trabalha todos os dias o dia inteiro.

JSSP:  Gilson, você caprichou nos detalhes.

GB:  Está mesmo uma peça linda, cheia de detalhes  Estou muito feliz. As pessoas que vêm aqui e veem a obra elogiam. Tem um caderno que as pessoas assinam, deixam mensagens, comentários, é bom demais, está sendo melhor do que imaginei.

Com estrutura precária, quase sem apoio financeiro, e sem ter nenhum curso, o autodidata artista mostra que quando há vontade, empenho, persistência e trabalho, as coisas acontecem.

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