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Professores faturam milhões dando aulas – onde isso é possível?

Aqui no Brasil, quando se fala em educação, logo vem à mente a questão dos baixos salários e a desvalorização do professor.
O mesmo não ocorre na Coreia do Sul, onde os professores formam uma das classes mais respeitadas da sociedade.
Conhecida como potência tecnológica e econômica, é interessante mencionar que há algumas décadas a Coreia do Sul era um dos países mais pobres do mundo e a maioria da população era analfabeta. Qual foi o “milagre”?
Foto: Reprodução Internet
Foto: Reprodução Internet
A priorização da educação como política de governo foi um dos responsáveis pela modernização do país, um dos mais bem colocados no PISA (Programme for International Student Assessment), a principal avaliação do ensino básico do mundo. E para uma educação de qualidade, a formação dos professores é fundamental. As faculdades da área de educação fazem uma seleção rigorosa para aqueles que almejam a carreira.
No país obcecado por educação, a maioria dos jovens também frequenta escolas particulares, chamadas “hagwons”, para se preparar para vestibular.   Como o custo é alto, as aulas virtuais tornam-se uma ótima alternativa para esses estudantes, pois o custo é muito menor. Alguns professores bons em comunicação acabaram virando celebridades milionárias, usando as mídias como ferramentas para ensinar.
Foto: Reprodução Internet
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Em um documentário sobre educação, a BBC mostra o caso do professor de matemática Cha Kil-yong, criador da SevenEdu, uma plataforma online de um curso preparatório para o KSAT, o exame para qual os alunos estudam intensamente durante três anos para entrar nas melhores universidades do país, o que pode significar um futuro brilhante.
Foto:  Shin Woong-jae / para o Washington Post

Foto: Shin Woong-jae / para o Washington Post

 

 

Cha parece mais um pop star, com roupas extravagantes, adereços, perucas. Para prender a atenção dos alunos, e motivá-los, conta piadas, faz caretas, traz convidados especiais, como artistas pops e atores da TV coreana.  Ensina truques e táticas para resolver equações complicadas. Seu estúdio é montado com um quadro verde e mesas, e atrás da câmera estão pilhas de adereços – incluindo hipopótamo e máscaras de Batman e  jaqueta de lantejoulas.
Os vídeos fazem tanto sucesso que a plataforma conta com 3 milhões de jovens inscritos, que pagam cerca de US$ 22 por mês (cerca de R$ 70) para assistir suas aulas de matemática. Em 2014, Cha faturou US$ 8 milhões.
Na Coreia do Sul o mercado de aulas online é uma indústria bilionária. Uma grande parcela da população frequenta uma sala de aula virtual, mesmo aqueles que passam horas na escola regular. O fato tem chamado a atenção de especialistas interessados em tecnologia e educação. Até que ponto todas essas obrigações escolares podem afetar a saúde desses estudantes? Quanto tempo sobra para dormir, brincar ou socializar?
A pressão para serem bem-sucedidos nos estudos afeta os jovens, o índice de suicídio é muito alto entre a faixa etária dos dez aos trinta anos.
Segundo a matéria da BBC, o ex-ministro da Educação sul-coreano Ju Ho Lee afirmou que já é hora de fazer mudanças no sistema escolar para preparar a próxima geração, que novas habilidades devem ser fomentadas, como a comunicação, a colaboração e a criatividade.
Enquanto a Coreia do Sul ocupou a 7ª posição no ranking do Pisa 2015, em Leitura e Matemática, o Brasil ocupou a 59ª em Leitura e a 66ª em Matemática. Entre a obsessão dos coreanos e o descaso com a educação no Brasil há a necessidade de buscar o equilíbrio.

Fontes: BBC

Educar para crescer

The Washington Post

Pisa 2015

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